Os quatro companheiros foram considerados inocentes (excepto de uma acusação menor) das acusações que remontavam às manifestações contra a Cimeira da UE em 2003.
Os quatro acusados estão em Liberdade. Todas as acusações foram retiradas, excepto "desafio grave à autoridade" que foi reduzido para "desafio menor à autoridade". Este é um delito que dá uma pena de 6 meses de pena suspensa, mas nenhum deles será preso a menos que seja processado por qualquer motivo nesses 6 meses. Foi o melhor que os juízes conseguiram fazer, pois eles tinham que ser acusados de alguma coisa para justificar os 6 meses que estiveram presos em 2003.
Uma boa notícia!
Mostrando postagens com marcador 4 de Salónica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 4 de Salónica. Mostrar todas as postagens
domingo, 13 de fevereiro de 2011
[Grécia] Sexta sessão do julgamento dos 4 de Salónica
Quarta-Feira, 26 de Janeiro de 2011, Tribunal de Salónica
Com a acusação completa e com as testemunhas de defesa a serem analisadas bastante à pressa, cabia então ao procurador delinear o porquê das leis utilisadas para a acusação.
As acusações eram: causar explosões com a intenção de por em risco a vida humana, posse de materiais ou aparelhos feitos com o objectivo de causar explosões. O ponto aqui é que a posse pode ser provada, nem que os explosivos tenham estado contigo apenas um segundo. Causar explosões estava ligado à posse, ou seja, tens posses com o objectivo de causar, embora tenham permanecido como acusações diferentes. Combinando o acto de posse com o de causar criou a acusação de "motim grave".
Até agora tudo bem, ou mal, depende de como se olha para isto.
O procurador apontou o que aconteceu em Génova em 2001, e que seria de esperar problemas semelhantes na Cimeira da União Europeia em Salónica em Junho de 2003. O "Black Bloc" era esperado, e estaria preparado, armado com uma variedade de armas com a intenção de por em perigo a vida e a propriedade em desafio à autoridade. No evento, lojas, carros e escritórios foram atacados, danificados ou queimados. Oito polícias ficaram feridos.
Para Michalis ele pediu que fosse condenado por causar continuamente explosões - mais grave que causar uma explosão. Ele não queria acreditar que os polícias hoje pudessem estar enganados na identificação ou a mentir: se a polícia quisesse forjar provas teria usado mais que um agente contra Michalis. Concluiu que a decisão do primeiro julgamento estava correcta e que Michalis devia ser condenado por causar várias explosões, posse de explosivos e motim grave.
Para Kastro, disse que ele atirou 10 molotovs, embora sem por vidas em perigo. Sendo assim, pediu que fosse condenado por posse de explosivos e motim grave.
No caso de Fernando, tanto a acusação de posse como uso de explosivos não foi provada devido a dúvidas de identificação e inconsistência do testemunhos dos polícias. Pediu que todas as acusações contra Fernando fossem retiradas.
Em relação a Simon, ele estava satisfeito com a acusação de ter lançado um molotov com a intenção de por vidas em perigo (no primeiro julgamento foi acusado de várias explosões), e que a posse de 7 molotovs foi provada por 9 testemunhas contra ele. O procurador não queria acreditar que 9 polícias pudessem estar a mentir. Concluiu que ele pode eventualmente ter sido espancado, mas as duas acusações que recaiam sobre ele combinadas criavam a terceira de motim grave.
Depois de um intervalo, 5 dos advogados fizeram as alegações finais a favor dos seus clientes e como parte da imagem que unia todos os casos. Mas, quando o relógio se aproximava das 15h Bakkellas, o advogado de Simon, pediu para atrasar as suas alegações finais visto que o tribunal encerra às 15:30 e assim não teria tempo de concluir. Os juízes queriam que ele continuasse que caso fosse preciso passava o tempo, a tensão subiu um pouco. Uma funcionária do tribunal disse que não aceitava isso pois não iria ser paga pelas horas extraordinárias.
Um dos três juízes já tinha um julgamento agendado para o dia seguinte e na Sexta-Feira ia ser mais um dia de greve para o sindicato dos advogados. As alegações finais de Bakkellas ficaram marcadas para dia 31 de Janeiro bem como a leitura da sentença.
Com a acusação completa e com as testemunhas de defesa a serem analisadas bastante à pressa, cabia então ao procurador delinear o porquê das leis utilisadas para a acusação.
As acusações eram: causar explosões com a intenção de por em risco a vida humana, posse de materiais ou aparelhos feitos com o objectivo de causar explosões. O ponto aqui é que a posse pode ser provada, nem que os explosivos tenham estado contigo apenas um segundo. Causar explosões estava ligado à posse, ou seja, tens posses com o objectivo de causar, embora tenham permanecido como acusações diferentes. Combinando o acto de posse com o de causar criou a acusação de "motim grave".
Até agora tudo bem, ou mal, depende de como se olha para isto.
O procurador apontou o que aconteceu em Génova em 2001, e que seria de esperar problemas semelhantes na Cimeira da União Europeia em Salónica em Junho de 2003. O "Black Bloc" era esperado, e estaria preparado, armado com uma variedade de armas com a intenção de por em perigo a vida e a propriedade em desafio à autoridade. No evento, lojas, carros e escritórios foram atacados, danificados ou queimados. Oito polícias ficaram feridos.
Para Michalis ele pediu que fosse condenado por causar continuamente explosões - mais grave que causar uma explosão. Ele não queria acreditar que os polícias hoje pudessem estar enganados na identificação ou a mentir: se a polícia quisesse forjar provas teria usado mais que um agente contra Michalis. Concluiu que a decisão do primeiro julgamento estava correcta e que Michalis devia ser condenado por causar várias explosões, posse de explosivos e motim grave.
Para Kastro, disse que ele atirou 10 molotovs, embora sem por vidas em perigo. Sendo assim, pediu que fosse condenado por posse de explosivos e motim grave.
No caso de Fernando, tanto a acusação de posse como uso de explosivos não foi provada devido a dúvidas de identificação e inconsistência do testemunhos dos polícias. Pediu que todas as acusações contra Fernando fossem retiradas.
Em relação a Simon, ele estava satisfeito com a acusação de ter lançado um molotov com a intenção de por vidas em perigo (no primeiro julgamento foi acusado de várias explosões), e que a posse de 7 molotovs foi provada por 9 testemunhas contra ele. O procurador não queria acreditar que 9 polícias pudessem estar a mentir. Concluiu que ele pode eventualmente ter sido espancado, mas as duas acusações que recaiam sobre ele combinadas criavam a terceira de motim grave.
Depois de um intervalo, 5 dos advogados fizeram as alegações finais a favor dos seus clientes e como parte da imagem que unia todos os casos. Mas, quando o relógio se aproximava das 15h Bakkellas, o advogado de Simon, pediu para atrasar as suas alegações finais visto que o tribunal encerra às 15:30 e assim não teria tempo de concluir. Os juízes queriam que ele continuasse que caso fosse preciso passava o tempo, a tensão subiu um pouco. Uma funcionária do tribunal disse que não aceitava isso pois não iria ser paga pelas horas extraordinárias.
Um dos três juízes já tinha um julgamento agendado para o dia seguinte e na Sexta-Feira ia ser mais um dia de greve para o sindicato dos advogados. As alegações finais de Bakkellas ficaram marcadas para dia 31 de Janeiro bem como a leitura da sentença.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
[Grécia] Quinta sessão do julgamento dos 4 de Salónica
Terça-Feira, 25 de Janeiro 2011, Tribunal de Salónica
Duas testemunhas foram chamadas pela defesa de Michalis. Estiveram com ele no dia da manifestação e testemunharam que ele não estava a usar uma mochila, pois conseguiam vê-lo claramente por trás. Também não o viram atirar nada, e perderam contacto com ele nas nuvens de gás lacrimogéneo. Estas testemunhas foram ouvidas 10 minutos cada.
Foram chamadas três testemunhas para Kastro. A primeira testemunha conhecia Kastro de Creta já há alguns anos. Disse que ele não levou nenhuma mochila na manhã em que deixaram o seu apartamento partilhado. Foi-lhe perguntado se seria possível que Kastro tivesse levado o seu visto de residência e o tivesse deixado noutra mochila. A testemunha respondeu que ele não tinha visto de residência. Kastro tinha feito um pedido para o visto em 1997 e foi recusado. De qualquer das maneiras o alegado documento não foi incluído na lista de posses feita pelos polícias que o detiveram.
A segunda testemunha é um doutor que esteve com Kastro por volta das 18h perto da estátua de Venizelos (contrariamente ao que dizia a polícia, que afirmou que ele estava numa multidão a atirar molotovs). Ele disse que teve muitas conversas com Kastro no Festival Anti-Racista em Salónica, uma semana antes da manifestação e não ficou com a ideia de que ele fosse uma pessoa violenta. Também não se lembra de ver Kastro com uma mochila no dia da sua detenção. A última testemunha foi um professor universitário que conhece Kastro de Creta. Disse que ele não é uma pessoa violenta, e que provavelmente foi tornado numa vítima devido ao facto de ser imigrante. De novo estas testemunhas foram interrogadas muito rapidamente.
Nas duas horas seguintes foram apresentados documentos de apoio aos acusados, tais como referências de trabalho e personalidade, cartas de solidariedade de várias organizações políticas, sociais e de direitos humanos. Foi mostrada também uma notícia de como um grupo de manifestantes conseguiu processar com sucesso a polícia de Barcelona depois de terem passado por uma situação semelhante na cimeira da UE em 2002.
Foram lidas também as alegações que levaram a que retirassem as acusações contra cada acusado (originalmente feitas em Fevereiro de 2004). Depois da reabertura do processo em 2008 foram feitos alguns relatórios por parte dos constituintes do painel de 3 juízes e 4 jurados que acreditam na inocência dos acusados. Foram todos lidos. Esse relatórios sublinhavam muito do que acabou por acontecer neste julgamento: contradições entre agentes, dúvidas acerca das identificações, falta de provas, falta de pormenores, problemas com os relatórios iniciais de detenção, etc.
As três últimas testemunhas eram para Simon. A primeira conhecia Simon já há muito tempo de Londres e testemunhou que a cultura de manifestações do Reino Unido geralmente não envolve molotovs e gás lacrimogéneo. Disse também que não faz parte da personalidade de Simon agir da maneira que a polícia testemunhou. As duas últimas testemunhas estiveram com ele até poucos minutos antes de ser detido e afirmaram que apenas tinha uma mochila azul com roupa e água. Eles tinham certeza disso pois lembram-se de confirmar se tinham água suficiente antes de sair para a manifestação. Ambos afirmaram sentir-se presos nas nuvens de gás enquanto a polícia dividia a manifestação em grupos mais pequenos para carregar sobre eles. Mais uma vez as testemunhas foram interrogadas bastante rápido.
Finalmente foi a vez de os acusados deporem. O advogado de Michalis falou em seu lugar (Michalis está em prisão preventiva por causa de outra acusação) contra a criminalização daqueles que se identificam como anarquistas. Todos os acusados negaram as acusações. Era fim da tarde e os juízes estavam claramente incomodados com o sol que entrava pelas janelas. Depois de algumas perguntas do procurados e do juiz que preside o tribunal o testemunho dos acusados estava completo e o tribunal encerrado para esse dia. Parece ter acabado demasiado rápido, quase como se o testemunho dos acusados não tivesse importância.
Duas testemunhas foram chamadas pela defesa de Michalis. Estiveram com ele no dia da manifestação e testemunharam que ele não estava a usar uma mochila, pois conseguiam vê-lo claramente por trás. Também não o viram atirar nada, e perderam contacto com ele nas nuvens de gás lacrimogéneo. Estas testemunhas foram ouvidas 10 minutos cada.
Foram chamadas três testemunhas para Kastro. A primeira testemunha conhecia Kastro de Creta já há alguns anos. Disse que ele não levou nenhuma mochila na manhã em que deixaram o seu apartamento partilhado. Foi-lhe perguntado se seria possível que Kastro tivesse levado o seu visto de residência e o tivesse deixado noutra mochila. A testemunha respondeu que ele não tinha visto de residência. Kastro tinha feito um pedido para o visto em 1997 e foi recusado. De qualquer das maneiras o alegado documento não foi incluído na lista de posses feita pelos polícias que o detiveram.
A segunda testemunha é um doutor que esteve com Kastro por volta das 18h perto da estátua de Venizelos (contrariamente ao que dizia a polícia, que afirmou que ele estava numa multidão a atirar molotovs). Ele disse que teve muitas conversas com Kastro no Festival Anti-Racista em Salónica, uma semana antes da manifestação e não ficou com a ideia de que ele fosse uma pessoa violenta. Também não se lembra de ver Kastro com uma mochila no dia da sua detenção. A última testemunha foi um professor universitário que conhece Kastro de Creta. Disse que ele não é uma pessoa violenta, e que provavelmente foi tornado numa vítima devido ao facto de ser imigrante. De novo estas testemunhas foram interrogadas muito rapidamente.
Nas duas horas seguintes foram apresentados documentos de apoio aos acusados, tais como referências de trabalho e personalidade, cartas de solidariedade de várias organizações políticas, sociais e de direitos humanos. Foi mostrada também uma notícia de como um grupo de manifestantes conseguiu processar com sucesso a polícia de Barcelona depois de terem passado por uma situação semelhante na cimeira da UE em 2002.
Foram lidas também as alegações que levaram a que retirassem as acusações contra cada acusado (originalmente feitas em Fevereiro de 2004). Depois da reabertura do processo em 2008 foram feitos alguns relatórios por parte dos constituintes do painel de 3 juízes e 4 jurados que acreditam na inocência dos acusados. Foram todos lidos. Esse relatórios sublinhavam muito do que acabou por acontecer neste julgamento: contradições entre agentes, dúvidas acerca das identificações, falta de provas, falta de pormenores, problemas com os relatórios iniciais de detenção, etc.
As três últimas testemunhas eram para Simon. A primeira conhecia Simon já há muito tempo de Londres e testemunhou que a cultura de manifestações do Reino Unido geralmente não envolve molotovs e gás lacrimogéneo. Disse também que não faz parte da personalidade de Simon agir da maneira que a polícia testemunhou. As duas últimas testemunhas estiveram com ele até poucos minutos antes de ser detido e afirmaram que apenas tinha uma mochila azul com roupa e água. Eles tinham certeza disso pois lembram-se de confirmar se tinham água suficiente antes de sair para a manifestação. Ambos afirmaram sentir-se presos nas nuvens de gás enquanto a polícia dividia a manifestação em grupos mais pequenos para carregar sobre eles. Mais uma vez as testemunhas foram interrogadas bastante rápido.
Finalmente foi a vez de os acusados deporem. O advogado de Michalis falou em seu lugar (Michalis está em prisão preventiva por causa de outra acusação) contra a criminalização daqueles que se identificam como anarquistas. Todos os acusados negaram as acusações. Era fim da tarde e os juízes estavam claramente incomodados com o sol que entrava pelas janelas. Depois de algumas perguntas do procurados e do juiz que preside o tribunal o testemunho dos acusados estava completo e o tribunal encerrado para esse dia. Parece ter acabado demasiado rápido, quase como se o testemunho dos acusados não tivesse importância.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
[Grécia] Quarta sessão do julgamento dos 4 de Salónica
Segunda-Feira, 24 de Janeiro de 2011, Tribunal de Salónica
O polícia #15 deteve Michalis e alegou que ele tinha uma mochila com três molotovs, quatro máscaras e uma fisga. Ele afirmou que viu Michalis atirar vários molotovs durante um período de 30 minutos. Não soube dizer o que aconteceu à dita mochila depois de ele ser entregue à equipa de detenção. Nem se conseguiu lembrar se Michalis estava com luvas ou máscara.
A defesa achou estranho que no vídeo mostrado em tribunal Michalis não usa nenhuma máscara de gás, mas supostamente trazia quatro na mochila. Porque faria isso? O polícia #15 não se lembrava ou não conseguiu responder a muitas das perguntas. Esta era a única acusação contra Michalis.
Depois, foi chamada uma testemunha pela defesa de Fernando: estiveram sempre juntos na manifestação, apenas ficando separados nas nuvens de gás lacrimogéneo. Ele afirmou que Fernando não atirou nada, nem molotovs nem pedra e que não transportava nenhuma mochila, apenas um saco de plástico com algumas garrafas de água. Disse também que em Espanha se uma manifestação se está a tornar violenta a polícia usa megafones para avisar as pessoas para dispersar ou enfrentar as consequências. Isto não acontece na Grécia e por isso eles não sabiam os risco que corriam. Ele deu provas de que Fernando é trabalhador e um cidadão activo em Espanha e que perdeu o seu trabalho para poder estar neste julgamento.
Os quatro polícias seguintes (#16 - 19) foram todos depor contra Simon e disseram todos basicamente o mesmo: podiam identificar claramente Simon devido à protecção laranja que usava no braço, que atirou um molotov, que tinha uma mochila azul às costas e carregava uma preta com o braço esquerdo. Todos eles disseram que não espancaram Simon e não sabem como é que ele se feriu. Todos eles depuseram depois de rever os vídeos e fotos 5 meses depois da detenção inicial. O polícia #18 afirmou que o seu pelotão estava a circular por vários pontos da cidade quando detiveram Simon (segundo os seus próprios testemunhos estava algemado, encharcado em gasolina e com uma mochila cheia de molotovs). Todos eles admitiram que se mantiveram em confrontações nesse período de 2-3 horas. O polícia #19 diz lembrar-se de cheirar gasolina de uma das mochilas de Simon depois de este "ter caído", apesar de estar a usar uma máscara de gás.
Este foi o fim dos depoimentos da acusação.
Depois de um intervalo, foi mostrada uma sequência de vídeo mais completa de Michalis onde se viu que depois da detenção nenhum polícia perto dele estava a carregar a alegada mochila e que nem estava nenhuma perto dele (pois a câmara mostra uma vista panorâmica de 360º). O polícia que deteve Michalis (polícia #15) testemunhou no primeiro julgamento, e neste também que tinha a mochila de consigo até o levar para a equipa de detenção. Nenhuma mochila foi vista e subsequentemente nenhuma prova foi apresentada em contrário.
Aos polícias que testemunharam contra Simon foi mostrado um vídeo onde eles aparecem a colocar mochilas à volta dele. Há um sequência em que se vê ser colocada uma mochila a verter um líquido (gasolina?) perto de Simon. Nenhum polícia admitiu ser o agente nas filmagens, e todos mantiveram o que disseram relativamente ao sítio mais seguro para colocar as mochilas ser à volta de Simon.
Depois disto, chegaram várias caixas contendo um grande número de mochilas. O polícia #6 afirmou que todas as mochilas entregues na esquadra nesse dia foram marcadas com etiquetas que tinha o nome do detido seu proprietário. Nenhuma das mochilas apresentadas tinha qualquer tipo de identificação ou etiqueta.
A última testemunha do dia veio em defesa de Kastro: ela era uma organizadora do Sindicato que conhecia Kastro devido ao seu papel a ajudar trabalhadores imigrantes em Creta. Ela disse ter estado na praça entre as 17:30 e as 18:30 e afirmou não ter havido confrontos nesse período de tempo. A polícia tinha afirmado que viu Kastro a atirar molotovs neste período de tempo. Ela diz ter visto Kastro perto do palco nessa altura. Disse também ter passado no dia seguinte pelo locar exacto onde a polícia diz ter sido atacada com os molotovs de Kastro. Diz não ter encontrado marcas de fogo.
O polícia #15 deteve Michalis e alegou que ele tinha uma mochila com três molotovs, quatro máscaras e uma fisga. Ele afirmou que viu Michalis atirar vários molotovs durante um período de 30 minutos. Não soube dizer o que aconteceu à dita mochila depois de ele ser entregue à equipa de detenção. Nem se conseguiu lembrar se Michalis estava com luvas ou máscara.
A defesa achou estranho que no vídeo mostrado em tribunal Michalis não usa nenhuma máscara de gás, mas supostamente trazia quatro na mochila. Porque faria isso? O polícia #15 não se lembrava ou não conseguiu responder a muitas das perguntas. Esta era a única acusação contra Michalis.
Depois, foi chamada uma testemunha pela defesa de Fernando: estiveram sempre juntos na manifestação, apenas ficando separados nas nuvens de gás lacrimogéneo. Ele afirmou que Fernando não atirou nada, nem molotovs nem pedra e que não transportava nenhuma mochila, apenas um saco de plástico com algumas garrafas de água. Disse também que em Espanha se uma manifestação se está a tornar violenta a polícia usa megafones para avisar as pessoas para dispersar ou enfrentar as consequências. Isto não acontece na Grécia e por isso eles não sabiam os risco que corriam. Ele deu provas de que Fernando é trabalhador e um cidadão activo em Espanha e que perdeu o seu trabalho para poder estar neste julgamento.
Os quatro polícias seguintes (#16 - 19) foram todos depor contra Simon e disseram todos basicamente o mesmo: podiam identificar claramente Simon devido à protecção laranja que usava no braço, que atirou um molotov, que tinha uma mochila azul às costas e carregava uma preta com o braço esquerdo. Todos eles disseram que não espancaram Simon e não sabem como é que ele se feriu. Todos eles depuseram depois de rever os vídeos e fotos 5 meses depois da detenção inicial. O polícia #18 afirmou que o seu pelotão estava a circular por vários pontos da cidade quando detiveram Simon (segundo os seus próprios testemunhos estava algemado, encharcado em gasolina e com uma mochila cheia de molotovs). Todos eles admitiram que se mantiveram em confrontações nesse período de 2-3 horas. O polícia #19 diz lembrar-se de cheirar gasolina de uma das mochilas de Simon depois de este "ter caído", apesar de estar a usar uma máscara de gás.
Este foi o fim dos depoimentos da acusação.
Depois de um intervalo, foi mostrada uma sequência de vídeo mais completa de Michalis onde se viu que depois da detenção nenhum polícia perto dele estava a carregar a alegada mochila e que nem estava nenhuma perto dele (pois a câmara mostra uma vista panorâmica de 360º). O polícia que deteve Michalis (polícia #15) testemunhou no primeiro julgamento, e neste também que tinha a mochila de consigo até o levar para a equipa de detenção. Nenhuma mochila foi vista e subsequentemente nenhuma prova foi apresentada em contrário.
Aos polícias que testemunharam contra Simon foi mostrado um vídeo onde eles aparecem a colocar mochilas à volta dele. Há um sequência em que se vê ser colocada uma mochila a verter um líquido (gasolina?) perto de Simon. Nenhum polícia admitiu ser o agente nas filmagens, e todos mantiveram o que disseram relativamente ao sítio mais seguro para colocar as mochilas ser à volta de Simon.
Depois disto, chegaram várias caixas contendo um grande número de mochilas. O polícia #6 afirmou que todas as mochilas entregues na esquadra nesse dia foram marcadas com etiquetas que tinha o nome do detido seu proprietário. Nenhuma das mochilas apresentadas tinha qualquer tipo de identificação ou etiqueta.
A última testemunha do dia veio em defesa de Kastro: ela era uma organizadora do Sindicato que conhecia Kastro devido ao seu papel a ajudar trabalhadores imigrantes em Creta. Ela disse ter estado na praça entre as 17:30 e as 18:30 e afirmou não ter havido confrontos nesse período de tempo. A polícia tinha afirmado que viu Kastro a atirar molotovs neste período de tempo. Ela diz ter visto Kastro perto do palco nessa altura. Disse também ter passado no dia seguinte pelo locar exacto onde a polícia diz ter sido atacada com os molotovs de Kastro. Diz não ter encontrado marcas de fogo.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
[Grécia] Terceira sessão do julgamento dos 4 de Salónica
Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011, Tribunal de Salónica
O julgamento recomeçou e ouviu a 10ª testemunha, um polícia pertencente a um pelotão a polícia de intervenção baseada em Atenas. Foi o agente responsável pela detenção de Fernando. Ele testemunhou como a sua equipa chegou a Ignatia a disparar granadas de gás e foi imediatamente confrontada por um grupo de manifestantes que estavam tão perto que foi uma luta de corpo a corpo. A testemunha afirmou que Fernando atirou um molotov contra a sua equipa a uma distancia de 2 ou 3 metros e seguidamente atirou um very-light. Ambos falharam. Disse que prenderam Fernando e que encontraram uma fisga e bolas de metal na sua mochila.
Esta testemunha disse que levou o detido e a sua mochila para o carro da equipa de detenção e que seguidamente foi transferido para a equipa de investigação preliminar na esquadra da polícia. Nenhuma acusação foi feita relativamente à fisga e ao very-light. Fernando foi acusado de atirar um certo número de molotovs à polícia, mas no segundo julgamento isto foi reduzido para apenas um. Fernando negou sempre ter uma mochila consigo e atirar o que quer que seja à polícia.
Quando o relatório original feito por este polícia (testemunha #10) sobre a detenção de Fernando não foi feita nenhuma referência à mochila na lista de pertences apreendidos. A defesa diz que nunca existiu mochila nenhuma, nem molotov, nem very-light. O polícia disse que estava cansado quando deu o seu testemunho e simplesmente se esqueceu de mencionar a mochila (uma prova!). A mochila só é mencionada em relatórios feitos durante essa noite. A defesa pediu que como é uma prova, essa mesma mochila fosse apresentada em tribunal, embora de momento não se saiba onde está.
Outra testemunha (polícia nº 11) foi adicionada a este caso 18 meses depois, em Setembro de 2004. Este polícia não foi mencionado pelo polícia #10 no seu relatório inicial. Ele explicou que foi à esquadra onde Fernando estava detido nessa noite mas não testemunhou nem apresentou provas pois tinha sido ferido durante os confrontos e teve que ir à base onde foi visto por um médico que lhe deu alguns pontos nos pulso, embora não exista nenhuma nota ou relatório sobre a lesão ou o tratamento.
A defesa disse que houve polícias com ferimentos mais graves do que do polícia #11 e que fizeram relatórios sobre as detenções em que estiveram envolvidos um ou dois dias depois. Este agente demorou 18 meses para apresentar provas contra Fernando.
Existem muitas inconsistências entre as provas dadas pelo polícia #10 e o polícia #11 neste julgamento, e entre as provas apresentadas no julgamento de 2008 e neste recurso que está a decorrer. Um deles, ou ambos tem que estar enganado pois não podem estar os dois correctos. Foi perguntado outra vez ao polícia #11 porque não testemunhou na altura da detenção de Fernando e ele disse que o seu superior pensou que o testemunho do polícia #10 seria suficiente.
A testemunha seguinte (polícia #12) é o comandante da equipa que deteve Simon Chapman. Ele manteve a história da mochila preta e da mochila azul. Mais uma vez, só entregou provas depois dos vídeos e fotos (a favor da história de Simon) terem sido amplamente divulgados. Disse que a sua equipa recolheu mochilas abandonadas com molotovs partidos ou não e juntou-as à volta de Simon - que segundo este mesmo polícia estava encharcado dos pés à cabeça com gasolina - pois era o local mais seguro para as guardar. O advogado perguntou se o local mais seguro para guardar mochilas a verter gasolina seria perto de um homem encharcado também em gasolina e cercado por polícias que, segundo o seu testemunho, estava ainda a ser atacados com molotovs e pedras.
Foi-lhe perguntado sobre as lesões de Simon. Disse que ele poderia estar a sangrar da cabeça antes da detenção, ou que se feriu ao cair (estranho tendo em conta que os ferimentos são na parte frontal da cabeça e ele supostamente caiu de costas!) ou que provavelmente foi atingido por uma pedra. Esta testemunha confirmou que a sua equipa levou Simon para zonas onde estiveram envolvidos em confrontos com manifestantes que os atacavam com molotovs e que o fizeram carregar a mochila preta durante duas ou três horas. Esteve o tempo todo algemado. Foi-lhe perguntado porque é que consideraram demasiado perigoso levar a mochila azul (alegadamente cheia de molotovs partidos) como prova, mas era seguro levar um homem algemado, encharcado em gasolina e a transportar uma mochila cheia de molotovs intactos. Tudo o que a testemunha disse foi que era muito perigoso levar a mochila azul.
A testemunha seguinte (polícia #14) era o comandante (agora reformado) de um pelotão da polícia de intervenção de Salónica que deteve Kastro. Ele afirmou que viu Kastro na frente de uma multidão de 400 pessoas na Praça Aristotle e que lhe iam sendo passados molotovs (entre 5 e 7) que ele depois atirou à polícia de uma distância de cerca de 70 metros. Ele disse que nenhum mal poderia ter sido feito aos polícias, civis ou propriedade. Testemunhou que Kastro tentou escapar através das ruínas do mercado antigo no cimo da praça e que apareceu subitamente muito perto de si que decidira - depois de uma hora a observar Kastro a atirar molotovs - avançar com mais polícias para fazer detenções.
Kastro foi acusado de carregar uma mochila que continha duas fisgas, bolas de metal para usar como munição, uma máscara de gás e documentos pessoais que confirmaram a sua identidade. A defesa disse que no julgamento de 2008 este polícia disse que estava certo de que existia um risco real para polícias e civis por causa dos molotovs alegadamente atirados por Kastro, mas neste afirma que não existia esse risco. Kastro disse sempre que não tinha mochila nenhuma.
O polícia #13 não sabia o que aconteceu à mochila depois de Kastro ter sido levado para a esquadra nem onde está agora. A defesa passou muito tempo a tentar estabelecer onde esteve esta testemunha e a sua equipa durante os confrontos apontando inúmeras inconsistências relativas à hora de detenção. A defesa disse que nenhuma descrição dele foi feita na altura da detenção, estas descrições apareceram apenas no relatório de 2004.
O polícia #14, testemunha seguinte, deu também provas contras Kastro e manteve o que o seu chefe disse antes embora tivesse acrescentado que o viu disparar parafusos e outros objectos metálicos contra a polícia com uma fisga. Mais uma vez, a história contada no primeiro julgamento não coincide com a contada no actual. Um ponto importante focado pela defesa foi em relação a uma afirmação da polícia que dava a entender que as acções de Kastro aconteceram antes da manifestação organizada pelos sindicatos. Os sindicalistas que falaram às pessoas presentes na Praça Aristotle afirmaram que não houve distúrbios antes da manifestação.
No relatório original da detenção de Kastro não há referência nenhuma a documentos pessoais encontrados na mochila (que provam que era sua) e nem esses documentos nem a mochila foram apresentados como provas. Não está claro que documentos seriam esses (havia muitos gritos e confusão no tribunal).
Kasto perguntou porque não foi detido durante uma hora, apesar de estar afastado da multidão na praça e ter alegadamente mandado 5, 7, 10 ou mais molotovs à polícia. Ele afirmou que as equipas da polícia prendem imediatamente quem as ataca nem que seja com uma garrafa de água de plástico vazia. Porque não foi preso antes? E se a sua intenção era lutar com a polícia porque não estava com uma mascara de gás nem preparado para guerrilha urbana. O polícia #14 não soube responder...
O julgamento recomeçou e ouviu a 10ª testemunha, um polícia pertencente a um pelotão a polícia de intervenção baseada em Atenas. Foi o agente responsável pela detenção de Fernando. Ele testemunhou como a sua equipa chegou a Ignatia a disparar granadas de gás e foi imediatamente confrontada por um grupo de manifestantes que estavam tão perto que foi uma luta de corpo a corpo. A testemunha afirmou que Fernando atirou um molotov contra a sua equipa a uma distancia de 2 ou 3 metros e seguidamente atirou um very-light. Ambos falharam. Disse que prenderam Fernando e que encontraram uma fisga e bolas de metal na sua mochila.
Esta testemunha disse que levou o detido e a sua mochila para o carro da equipa de detenção e que seguidamente foi transferido para a equipa de investigação preliminar na esquadra da polícia. Nenhuma acusação foi feita relativamente à fisga e ao very-light. Fernando foi acusado de atirar um certo número de molotovs à polícia, mas no segundo julgamento isto foi reduzido para apenas um. Fernando negou sempre ter uma mochila consigo e atirar o que quer que seja à polícia.
Quando o relatório original feito por este polícia (testemunha #10) sobre a detenção de Fernando não foi feita nenhuma referência à mochila na lista de pertences apreendidos. A defesa diz que nunca existiu mochila nenhuma, nem molotov, nem very-light. O polícia disse que estava cansado quando deu o seu testemunho e simplesmente se esqueceu de mencionar a mochila (uma prova!). A mochila só é mencionada em relatórios feitos durante essa noite. A defesa pediu que como é uma prova, essa mesma mochila fosse apresentada em tribunal, embora de momento não se saiba onde está.
Outra testemunha (polícia nº 11) foi adicionada a este caso 18 meses depois, em Setembro de 2004. Este polícia não foi mencionado pelo polícia #10 no seu relatório inicial. Ele explicou que foi à esquadra onde Fernando estava detido nessa noite mas não testemunhou nem apresentou provas pois tinha sido ferido durante os confrontos e teve que ir à base onde foi visto por um médico que lhe deu alguns pontos nos pulso, embora não exista nenhuma nota ou relatório sobre a lesão ou o tratamento.
A defesa disse que houve polícias com ferimentos mais graves do que do polícia #11 e que fizeram relatórios sobre as detenções em que estiveram envolvidos um ou dois dias depois. Este agente demorou 18 meses para apresentar provas contra Fernando.
Existem muitas inconsistências entre as provas dadas pelo polícia #10 e o polícia #11 neste julgamento, e entre as provas apresentadas no julgamento de 2008 e neste recurso que está a decorrer. Um deles, ou ambos tem que estar enganado pois não podem estar os dois correctos. Foi perguntado outra vez ao polícia #11 porque não testemunhou na altura da detenção de Fernando e ele disse que o seu superior pensou que o testemunho do polícia #10 seria suficiente.
A testemunha seguinte (polícia #12) é o comandante da equipa que deteve Simon Chapman. Ele manteve a história da mochila preta e da mochila azul. Mais uma vez, só entregou provas depois dos vídeos e fotos (a favor da história de Simon) terem sido amplamente divulgados. Disse que a sua equipa recolheu mochilas abandonadas com molotovs partidos ou não e juntou-as à volta de Simon - que segundo este mesmo polícia estava encharcado dos pés à cabeça com gasolina - pois era o local mais seguro para as guardar. O advogado perguntou se o local mais seguro para guardar mochilas a verter gasolina seria perto de um homem encharcado também em gasolina e cercado por polícias que, segundo o seu testemunho, estava ainda a ser atacados com molotovs e pedras.
Foi-lhe perguntado sobre as lesões de Simon. Disse que ele poderia estar a sangrar da cabeça antes da detenção, ou que se feriu ao cair (estranho tendo em conta que os ferimentos são na parte frontal da cabeça e ele supostamente caiu de costas!) ou que provavelmente foi atingido por uma pedra. Esta testemunha confirmou que a sua equipa levou Simon para zonas onde estiveram envolvidos em confrontos com manifestantes que os atacavam com molotovs e que o fizeram carregar a mochila preta durante duas ou três horas. Esteve o tempo todo algemado. Foi-lhe perguntado porque é que consideraram demasiado perigoso levar a mochila azul (alegadamente cheia de molotovs partidos) como prova, mas era seguro levar um homem algemado, encharcado em gasolina e a transportar uma mochila cheia de molotovs intactos. Tudo o que a testemunha disse foi que era muito perigoso levar a mochila azul.
A testemunha seguinte (polícia #14) era o comandante (agora reformado) de um pelotão da polícia de intervenção de Salónica que deteve Kastro. Ele afirmou que viu Kastro na frente de uma multidão de 400 pessoas na Praça Aristotle e que lhe iam sendo passados molotovs (entre 5 e 7) que ele depois atirou à polícia de uma distância de cerca de 70 metros. Ele disse que nenhum mal poderia ter sido feito aos polícias, civis ou propriedade. Testemunhou que Kastro tentou escapar através das ruínas do mercado antigo no cimo da praça e que apareceu subitamente muito perto de si que decidira - depois de uma hora a observar Kastro a atirar molotovs - avançar com mais polícias para fazer detenções.
Kastro foi acusado de carregar uma mochila que continha duas fisgas, bolas de metal para usar como munição, uma máscara de gás e documentos pessoais que confirmaram a sua identidade. A defesa disse que no julgamento de 2008 este polícia disse que estava certo de que existia um risco real para polícias e civis por causa dos molotovs alegadamente atirados por Kastro, mas neste afirma que não existia esse risco. Kastro disse sempre que não tinha mochila nenhuma.
O polícia #13 não sabia o que aconteceu à mochila depois de Kastro ter sido levado para a esquadra nem onde está agora. A defesa passou muito tempo a tentar estabelecer onde esteve esta testemunha e a sua equipa durante os confrontos apontando inúmeras inconsistências relativas à hora de detenção. A defesa disse que nenhuma descrição dele foi feita na altura da detenção, estas descrições apareceram apenas no relatório de 2004.
O polícia #14, testemunha seguinte, deu também provas contras Kastro e manteve o que o seu chefe disse antes embora tivesse acrescentado que o viu disparar parafusos e outros objectos metálicos contra a polícia com uma fisga. Mais uma vez, a história contada no primeiro julgamento não coincide com a contada no actual. Um ponto importante focado pela defesa foi em relação a uma afirmação da polícia que dava a entender que as acções de Kastro aconteceram antes da manifestação organizada pelos sindicatos. Os sindicalistas que falaram às pessoas presentes na Praça Aristotle afirmaram que não houve distúrbios antes da manifestação.
No relatório original da detenção de Kastro não há referência nenhuma a documentos pessoais encontrados na mochila (que provam que era sua) e nem esses documentos nem a mochila foram apresentados como provas. Não está claro que documentos seriam esses (havia muitos gritos e confusão no tribunal).
Kasto perguntou porque não foi detido durante uma hora, apesar de estar afastado da multidão na praça e ter alegadamente mandado 5, 7, 10 ou mais molotovs à polícia. Ele afirmou que as equipas da polícia prendem imediatamente quem as ataca nem que seja com uma garrafa de água de plástico vazia. Porque não foi preso antes? E se a sua intenção era lutar com a polícia porque não estava com uma mascara de gás nem preparado para guerrilha urbana. O polícia #14 não soube responder...
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
[Grécia] Segunda sessão do julgamento dos 4 de Salónica
Segunda, 17 de Janeiro de 2011, Tribunal de Salónica
Este dia seria passado a inquirir mais testemunhas de acusação da polícia, incluindo alguns agentes que estiveram envolvidos na detenção de Simon Chapman, e outros que prenderam outros manifestantes (não os 4 de Salónica).
Os primeiros cinco polícias não disseram nada sobre o caso em julgamento - todos eles prenderam outras pessoas (não os acusados actuais) na manifestação de 21 de Junho. Todos eles foram inquiridos sobre qual o procedimento normal para levar uma pessoa detida na rua para uma esquadra a fim de ser interrogada, e o que seria feito com qualquer coisa encontrada na sua posse.
Em cada caso, a ideia foi que seria possível que o agente que fez a detenção levasse o detido e qualquer item encontrado na sua posse para um carro da polícia e depois para uma esquadra, onde o agente daria o seu primeiro testemunho e preencheria um relatório das possessões do detido.
Nalguns casos em que o agente não pode levar a pessoa à esquadra, entrega o detido e as suas posses a uma equipa de detenção que o levarão. O agente dá o seu testemunho e preenche os relatórios posteriormente.
A sexta testemunha da polícia teve um papel um pouco diferente, ele estava a guardar a equipa de pré-interrogação. No entanto, ele testemunhou que as listas com os nomes dos detidos, das suas posses e dos polícias que fizeram as detenções foram feitas. Etiquetas foram improvisadas e colocadas nas várias mochilas que iam sendo entregues, as quais foram guardadas em local seguro. Os agentes que fizeram as detenções não estiveram sempre presentes, mas os seus nomes foram registados.
A testemunha seguinte foi mais desafiadora. Ele fazia parte de um pelotão da polícia de intervenção de Atenas que deteve Simon Chapman. Ele testemunhou com certeza absoluta, como ele disse, (tal como todos os membros do pelotão que o deteve) que o Simon atirou um cocktail molotov ao seu grupo e que depois se virou para fugir mas de alguma maneira escorregou e caiu de costas partindo assim os molotovs que tinha na sua mochila azul.
Simon é acusado de segurar uma mochila preta - contendo sete molotovs e dois martelos - na sua mão esquerda, mas quando caiu e se magoou conseguiu de alguma maneira não partir nada do que vinha nessa mochila. Como ficou coberto em gasolina das garrafas partidas na mochila azul, a polícia achou demasiado perigoso leva-lo consigo. Foi-lhes ordenado que se movessem para outra posição em Salónica e levaram Simon com eles durante pelo menos duas horas mais de confrontos com os manifestantes, pois não havia maneira de o levar para um carro da polícia para o transferirem para uma esquadra com o fim de ser interrogado.
Este polícia tinha a certeza que Simon não foi agredido nem por ele nem por nenhum dos seus colegas: o sangue deve ter vindo de feridas causadas pela queda, ou talvez por uma pedra mandada por outro manifestante, ou talvez tivesse batido com a cara quando caiu de costas. O advogado de defesa, Christos Bakelas, disse que esta informação não apareceu no relatório das testemunhas até ele próprio e os agentes que fizeram a detenção verem as cassetes comprometedoras em Novembro de 2003.
A testemunha da polícia disse que retirou várias mochilas e armas encontradas na rua para impedir que fossem usadas por manifestantes num contra-ataque. As testemunhas anteriores (1-5) responderam todas negativamente a esta questão. Todos afirmaram não ter recolhido qualquer arma ou mochila, pois isso era o trabalho de outra equipa da polícia.
Esta testemunha número 7, é o polícia que foi ter com uma equipa de reportagem (que estava em directo) e mostra o conteúdo de uma mochila preta. Ele mostra um martelo e depois volta a coloca-lo na mochila levando-a para perto do sitio onde está Simon.
A testemunha número 8 foi questionada seguidamente, outra vez sobre o acto de detenção e custódia, tal como as testemunhas 1-5. Foi-lhe perguntado porque é que a mochila azul de Simon nunca foi registada na altura da detenção nem quando foi levado para a esquadra. Ele respondeu que as condições eram difíceis nesse dia.
A testemunha número 9 foi a última do dia e fazia parte da equipa que deteve Simon. Ele repetiu a mesma história como supostamente puderam "identificar claramente" Simon como a pessoa que lhes atirou o molotov, como ele caiu de costas, como eles não sabiam de onde veio todo aquele sangue e como de certeza que ele não foi espancado. Isto foi tudo um pouco estranho visto esta testemunha ser o polícia que aparece na foto da Reuters com um pé na cara de Simon.
Ele afirma que não pontapeou Simon, estava só a segura-lo com o pé pois tinha as mão cheias de granadas de gás. Diz também que ficou ofendido com todas a mentiras publicadas sobre este caso, pois a polícia estava muito preocupada com a segurança do detido. Ele admitiu que viu os vídeos com o resto da equipa antes de fazer o primeiro depoimento em Novembro de 2003.
Uma das últimas questões a este polícia foi das mais interessantes: a testemunha número 9 disse ter sentido um forte odor a gasolina vindo da mochila azul. Foi-lhe perguntado se tirou a máscara de gás alguma vez durante esse dia, afirmou que não. Então foi feita a pergunta: se esta testemunha teve sempre a máscara de gás, como pode ter detectado o odor a gasolina tendo em conta que a máscara deve filtrar todos gases mesmo os vapores da gasolina? Nenhuma resposta satisfatória foi dada.
Info retirada daqui: www.salonikisolidarity.org.uk
Este dia seria passado a inquirir mais testemunhas de acusação da polícia, incluindo alguns agentes que estiveram envolvidos na detenção de Simon Chapman, e outros que prenderam outros manifestantes (não os 4 de Salónica).
Os primeiros cinco polícias não disseram nada sobre o caso em julgamento - todos eles prenderam outras pessoas (não os acusados actuais) na manifestação de 21 de Junho. Todos eles foram inquiridos sobre qual o procedimento normal para levar uma pessoa detida na rua para uma esquadra a fim de ser interrogada, e o que seria feito com qualquer coisa encontrada na sua posse.
Em cada caso, a ideia foi que seria possível que o agente que fez a detenção levasse o detido e qualquer item encontrado na sua posse para um carro da polícia e depois para uma esquadra, onde o agente daria o seu primeiro testemunho e preencheria um relatório das possessões do detido.
Nalguns casos em que o agente não pode levar a pessoa à esquadra, entrega o detido e as suas posses a uma equipa de detenção que o levarão. O agente dá o seu testemunho e preenche os relatórios posteriormente.
A sexta testemunha da polícia teve um papel um pouco diferente, ele estava a guardar a equipa de pré-interrogação. No entanto, ele testemunhou que as listas com os nomes dos detidos, das suas posses e dos polícias que fizeram as detenções foram feitas. Etiquetas foram improvisadas e colocadas nas várias mochilas que iam sendo entregues, as quais foram guardadas em local seguro. Os agentes que fizeram as detenções não estiveram sempre presentes, mas os seus nomes foram registados.
A testemunha seguinte foi mais desafiadora. Ele fazia parte de um pelotão da polícia de intervenção de Atenas que deteve Simon Chapman. Ele testemunhou com certeza absoluta, como ele disse, (tal como todos os membros do pelotão que o deteve) que o Simon atirou um cocktail molotov ao seu grupo e que depois se virou para fugir mas de alguma maneira escorregou e caiu de costas partindo assim os molotovs que tinha na sua mochila azul.
Simon é acusado de segurar uma mochila preta - contendo sete molotovs e dois martelos - na sua mão esquerda, mas quando caiu e se magoou conseguiu de alguma maneira não partir nada do que vinha nessa mochila. Como ficou coberto em gasolina das garrafas partidas na mochila azul, a polícia achou demasiado perigoso leva-lo consigo. Foi-lhes ordenado que se movessem para outra posição em Salónica e levaram Simon com eles durante pelo menos duas horas mais de confrontos com os manifestantes, pois não havia maneira de o levar para um carro da polícia para o transferirem para uma esquadra com o fim de ser interrogado.
Este polícia tinha a certeza que Simon não foi agredido nem por ele nem por nenhum dos seus colegas: o sangue deve ter vindo de feridas causadas pela queda, ou talvez por uma pedra mandada por outro manifestante, ou talvez tivesse batido com a cara quando caiu de costas. O advogado de defesa, Christos Bakelas, disse que esta informação não apareceu no relatório das testemunhas até ele próprio e os agentes que fizeram a detenção verem as cassetes comprometedoras em Novembro de 2003.
A testemunha da polícia disse que retirou várias mochilas e armas encontradas na rua para impedir que fossem usadas por manifestantes num contra-ataque. As testemunhas anteriores (1-5) responderam todas negativamente a esta questão. Todos afirmaram não ter recolhido qualquer arma ou mochila, pois isso era o trabalho de outra equipa da polícia.
Esta testemunha número 7, é o polícia que foi ter com uma equipa de reportagem (que estava em directo) e mostra o conteúdo de uma mochila preta. Ele mostra um martelo e depois volta a coloca-lo na mochila levando-a para perto do sitio onde está Simon.
A testemunha número 8 foi questionada seguidamente, outra vez sobre o acto de detenção e custódia, tal como as testemunhas 1-5. Foi-lhe perguntado porque é que a mochila azul de Simon nunca foi registada na altura da detenção nem quando foi levado para a esquadra. Ele respondeu que as condições eram difíceis nesse dia.A testemunha número 9 foi a última do dia e fazia parte da equipa que deteve Simon. Ele repetiu a mesma história como supostamente puderam "identificar claramente" Simon como a pessoa que lhes atirou o molotov, como ele caiu de costas, como eles não sabiam de onde veio todo aquele sangue e como de certeza que ele não foi espancado. Isto foi tudo um pouco estranho visto esta testemunha ser o polícia que aparece na foto da Reuters com um pé na cara de Simon.
Ele afirma que não pontapeou Simon, estava só a segura-lo com o pé pois tinha as mão cheias de granadas de gás. Diz também que ficou ofendido com todas a mentiras publicadas sobre este caso, pois a polícia estava muito preocupada com a segurança do detido. Ele admitiu que viu os vídeos com o resto da equipa antes de fazer o primeiro depoimento em Novembro de 2003.Uma das últimas questões a este polícia foi das mais interessantes: a testemunha número 9 disse ter sentido um forte odor a gasolina vindo da mochila azul. Foi-lhe perguntado se tirou a máscara de gás alguma vez durante esse dia, afirmou que não. Então foi feita a pergunta: se esta testemunha teve sempre a máscara de gás, como pode ter detectado o odor a gasolina tendo em conta que a máscara deve filtrar todos gases mesmo os vapores da gasolina? Nenhuma resposta satisfatória foi dada.
Info retirada daqui: www.salonikisolidarity.org.uk
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
[Grécia] Primeira sessão do julgamento dos 4 de Salónica
Sexta, 14 de Janeiro, Tribunal de SalónicaA equipa de advogados dos acusados conseguiu que se alterasse um dos 3 juizes que julgam o caso (era um ex-procurador do estado) por um menos tendencioso. Também, alguns dos polícias testemunhas (5/6 dos 40 originais) pediram para ser afastados pois não sabem nada do caso.
A primeira testemunha de acusação foi o agente Stamatis que deteve Simon Chapman. O seu advogado, Christos Bakellas, arrasou completamente o depoimento da testemunha de acusação.
As duas testemunhas de acusação seguintes (polícias) quase admitiram que forjaram provas e as colocaram como sendo dos manifestantes detidos. Nem as testemunhas da polícia conseguiram dizer se alguma vez houve uma examinação forense. Estes dois polícias foram credíveis ao dizer que não sabiam nada sobre as detenções dos manifestantes. Apenas puderam dizer que meteram vários molotovs e armas em qualquer mochila que conseguissem. Ou seja, qualquer prova encontrada nas mochilas está comprometida!
Info retirada do Occupied London
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Solidariedade com os 4 de Salónica
Em Junho de 2003 durante os protestos contra a cimeira da União Europeia em Salónica (Grécia) mais de 100 pessoas foram detidas. 29 foram acusadas sendo que a grande maioria foi posteriormente libertada tirando 7 pessoas.Em Outubro já estavam todos os prisioneiros em greve de fome exigindo a libertação imediata enquanto aguardavam julgamento sendo que para alguns deles essa greve durou 63 dias!
Já em 2004 devido às provas que não deixavam margem para dúvidas foram retiradas todas as acusações e os prisioneiros estrangeiros puderam finalmente deixar a Grécia e regressar a casa.
Em 2005 o Procurador de Salónica recorreu da decisão e inicia-se um período de mais de dois anos de conversações. Finalmente é definida uma data para o novo julgamento.
Em Janeiro de 2008 tem inicio o julgamento onde os acusados são considerados culpados de rebelião, posse de explosivos, resistência à detenção e utilização de explosivos. As penas a que foram condenados variam entre os 4 e os 8 anos e meio de prisão.
Dos 7 detidos 3 já foram condenados e durante este próximo ano os restantes 4 enfrentam o tribunal.
Eles são: Simon Chapman (Inglaterra), Suleiman “Kastro” Dakdouk (Siria), Michaelis Triakapis (Grécia) e Fernando Perez Gorraiz (Espanha).
Para mais informação: www.salonikisolidarity.org.uk
Assinar:
Postagens (Atom)
