sexta-feira, 19 de março de 2010

Maus tratos contra Cecília Menezes na prisão de Sta Cruz do Bispo

“(…) continuo com os sapatos de pano, e fui assim ao tribunal para mostrar a situação desumana como vivo no E. P. Também já enviei carta ao M. P. de Matosinhos, me queixando da teimosia do E. P. em me algemar, pois ainda agora no dia 1 de Fevereiro sofri uma crise de pânico na carrinha, e fiquei depois 45 minutos fechada na cela do tribunal, gritando, sofrendo, e confesso que senti até vontade de morrer, e por pouco não o fiz.

O meu desespero é enorme e não controlo o medo. Ora se eu saí da carrinha naquele desespero, o normal seria não me deixarem sozinha na cela. Mas foi assim. (…) A minha roupa, os meus pertences pessoais, estão se estragando na arrecadação da chefia, sem motivo que o justifique. Mas nunca quiseram me entregar nada. Enfim ! Olhe, se puder dar um jeitinho para o E. P., para saberem que no exterior sabem o que se está passando… Agradeço.

(…) Gostaria de saber se sou obrigada a sair ao tribunal sem roupa em condições, pois perdi tudo no acidente e nada me pagaram ainda ! … e eles obrigam a sair até mesmo descalça se for preciso ! Por vezes sinto-me amordaçada. Serei mesmo obrigada a sair ? e quando me chamam ao director ? Então, se eu estou oficialmente descalça na cela, como podem me chamar seja onde for ?

(…) Estou muito sofrida, revoltada, tenho sede de justiça. Sinto-me muito abandonada. Obrigada por me ouvir. Aguardo sua resposta.

Atenciosamente,
Cecília de Menezes
Perafita, 09 de Fevereiro de 2010.”

Fonte: ACED

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