quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Forum Antifascista


O Fórum Antifascista tem um novo host! Podem entrar em http://movantifapt.freeiz.com

Solidariedade com os 4 de Salónica

Em Junho de 2003 durante os protestos contra a cimeira da União Europeia em Salónica (Grécia) mais de 100 pessoas foram detidas. 29 foram acusadas sendo que a grande maioria foi posteriormente libertada tirando 7 pessoas.

Em Outubro já estavam todos os prisioneiros em greve de fome exigindo a libertação imediata enquanto aguardavam julgamento sendo que para alguns deles essa greve durou 63 dias!

Já em 2004 devido às provas que não deixavam margem para dúvidas foram retiradas todas as acusações e os prisioneiros estrangeiros puderam finalmente deixar a Grécia e regressar a casa.

Em 2005 o Procurador de Salónica recorreu da decisão e inicia-se um período de mais de dois anos de conversações. Finalmente é definida uma data para o novo julgamento.

Em Janeiro de 2008 tem inicio o julgamento onde os acusados são considerados culpados de rebelião, posse de explosivos, resistência à detenção e utilização de explosivos. As penas a que foram condenados variam entre os 4 e os 8 anos e meio de prisão.

Dos 7 detidos 3 já foram condenados e durante este próximo ano os restantes 4 enfrentam o tribunal.

Eles são: Simon Chapman (Inglaterra), Suleiman “Kastro” Dakdouk (Siria), Michaelis Triakapis (Grécia) e Fernando Perez Gorraiz (Espanha).



Para mais informação: www.salonikisolidarity.org.uk

De volta!


Depois de um longo período de ausência vamos voltar a publicar notícias com a regularidade possível!

Ate já!

(A)///(E)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Veredicto do julgamento dos detidos na manif anti-autoritária de 25 de Abril de 2007

Chegou hoje ao fim o julgamento dos 11 detidos (entretanto uma rapariga infelizmente faleceu) na manifestação anti-autoritária contra o fascismo e contra o capitalismo, de 25 de Abril de 2007.

Por ausência de prova, prova em contrário ou dúvida, o tribunal deu como não provados os actos apresentados pelo Ministério Público que eram por esse atribuídos aos arguidos e que se podiam enquadrar nos crimes de ofensa à integridade física agravada qualificada, injúria agravada e coacção e resistência sobre funcionário. Assim, todos os arguidos foram absolvidos de todas as acusações.

Indymedia


terça-feira, 8 de junho de 2010

[Grécia] Algumas Notícias

Supermercado é expropriado

Ontem, segunda-feira, 7 de junho, um coletivo chamado os “40 ladrões, mas sem Ali Babá”, expropriou um supermercado da rede "My Market”, no subúrbio ateniense de Egaleo. O material expropriado, basicamente produtos de necessidades básicas, foi distribuído numa praça popular do bairro.

Em Larissa, quatro anarquistas estão sendo processados por terem expropriado um tempo atrás um supermercado, o julgamento deve acontecer em dezembro de 2010.

Novo espaço ocupado em Tessalônica

Neste último sábado, 5 de junho, foi ocupada a “12º Escola Primária”, um amplo imóvel que estava abandonada há anos em Tessalônica. O objetivo desta nova ocupação é a criação de uma Escola Auto-organizada e Libertária. Durante o final de semana, sábado e domingo, foi realizada uma jornada de apresentação do projeto e reabilitação do local, com um mutirão de limpeza, discussões sobre pedagogia libertária e uma festa. Diversas pessoas compareceram no evento, inclusive muitos vizinhos e crianças.

Fotos:

http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1181330

http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1181532

Policiais que mataram Alexis são soltos

Depois de 18 meses em prisão preventiva os policiais Epaminondas Korkonéas, 38 anos, e seu colega, Vassilios Saraliotis, de 32 anos, que assassinaram Alexis Grigoropoulos em 6 de dezembro de 2008 no centro de Atenas, foram soltos na madrugada do último domingo, 6 de junho.

Festival do livro libertário em Tessalônica

De 2 a 5 de junho aconteceu o 1º Festival do Livro Libertário de Tessalônica. Além das banquinhas de livros e outros materiais, o evento contou com uma série de palestras e discussões, sob o mote “crise, resistências e utopias”.

Liberdade para Pawlak Michal

Michal Pawlak é um anarquista da Polônia que foi preso na Grécia em 6 de dezembro de 2009 durante as manifestações de um ano do assassinato de Alexis Grigoropoulos e a revolta que se seguiu. Desde então ele permanece na prisão aguardando julgamento. Como é de costume nestes casos, ele foi acusado pela polícia grega com base em evidências infundadas e circunstanciais, como por exemplo, a sua camiseta que tinha um slogan anti-polícia escrito por ele. Nas próximas semanas um conselho de juízes decidirá se ele permanecerá na prisão.

Para enviar cartas:

Michal Pawlak

Pteriga A

Filakes Koridallou

18110

Koridallos, Athens

Grécia

agência de notícias anarquistas-ana

fim de caminho
o pôr-do-sol começa
dentro de mim.

Luciana Bortoletto

sexta-feira, 4 de junho de 2010

[Lisboa] Acerca da quantidade e da qualidade


No sábado, 29 de Maio, houve uma manifestação em Lisboa convocada pela CGPT contra o governo e as medidas de austeridade que ele está a adoptar. Houve uma presença massiva (fala-se de 300 mil pessoas), com os números obviamente a não significarem nada. Não se via um único polícia de intervenção, e isto não apenas porque a CGPT tem o seu próprio serviço de ordem (seguranças), mas principalmente devido ao auto-controlo das pessoas, gerado por décadas de lavagem cerebral e controlo por parte dos sindicatos do mínimo sinal de descontentamento.

Assumindo que as ruas e os sentimentos de revolta não são propriedade dos sindicatos, convocou-se uma concentração anti-capitalista, na qual apareceram cerca de 50 anarquistas e anti-autoritários. Este grupo, levando consigo uma faixa onde se lia “o capitalismo não se reforma, destrói-se” e outras, decidiu a dada altura fazer a sua própria marcha aparte da manifestação oficial, gritando palavras (muitas das quais haviam aparecido pintadas em paredes em diferentes zonas de Lisboa na noite anterior) como “contra a máfia sindical, guerra social”, “sabotagens e greves selvagens”, “contra o estado e o capital, guerra social”, “a liberdade está nos nossos corações, abaixo os muros de todas as prisões” e “ansiosos pela nossa liberdade, destruiremos toda a vossa sociedade”. Com frequência estas palavras começavam a ser também gritadas por pessoas que participavam na manifestação oficial (a da CGPT).

A certa altura, o grupo decidiu entrar na marcha oficial, e imediatamente os “gorilas” sindicais (seguranças), ajudados por polícias à paisana, empurraram-nos dizendo que não iríamos entrar. Nessa altura, outras pessoas (participantes na marcha oficial) começaram a gritar contra esses controladores. Após algumas escaramuças e ameaças, o grupo lá conseguiu entrar um bocado à força. Depois, e porque para muitos de nós tínhamos entrado na marcha oficial não para participar no circo político, mas para recusarmos na prática estarmos a receber ordens sobre o que é que podíamos ou não fazer, decidimos simplesmente sair novamente dessa marcha.

Depois de a manif ter terminado, numa rua de calçada e “muito pitoresca” ali ao lado (rua das Portas de Santo Antão), cheia de cafés e restaurantes repletos de turistas, tinha aparecido um carro da polícia que estava a meio da rua e havia um homem nos seus 50 anos que estava a ser levado detido algemado. Pessoas indignadas tinham rodeado o carro e alguns companheiros, que iam a caminho de comer umas batatas fritas, juntamente com todas as outras pessoas presentes (cerca de 10 nessa altura), tentaram fazer com que o homem não fosse levado para a esquadra. Alguns assobios e aparecem mais uns 10 companheiros, vindos da praça contígua onde estavam a passar o tempo. Mais pessoas também se foram juntando, e a dada altura havia já cerca de 50 a 60 pessoas a gritar contra os polícias para que deixassem o homem em paz e a chamarem-lhes fascistas. Apareceu outro carro da polícia (a esquadra é logo ali ao virar da esquina) e por essa altura o detido tinha sido metido dentro do carro, o que irritou ainda mais a multidão. Não se podia permitir que os bófias levassem a sua presa.

Chegou então uma equipa de polícias de intervenção rápida vindos da avenida paralela, e finalmente puderam expressar-se: encontraram ali a oportunidade de descarregar em toda a gente. Um deles ostentava uma shotgun de balas de borracha (bom, deviam ser de borracha) e todos eles ficaram completamente loucos, batendo desenfreadamente em toda a gente que apanhassem à frente. Felizmente, algumas cadeiras das esplanadas foram mandadas contra eles, assim como algumas garrafas. No meio desta situação, alguém ouviu uma velhota a dizer “isto é o futuro”.

A multidão foi para a praça que está no final dessa rua (a da Ginginha), um ponto de encontro para muitos imigrantes que aí estavam a passar o tempo, à medida que mais polícias de intervenção chegavam e formavam linhas para proteger os outros. Nesta altura encontravam-se já cerca de 200 ou mais pessoas diferentes a gritar contra os polícias e a certa altura gritava-se em uníssono “ninguém gosta de vocês”. Os polícias recuaram para uma rua que dá acesso à esquadra, de escudos apontados para a multidão (e com a shotgun lá no meio), recuando ao som de insultos.

Por um lado, um gigantesco exército de centenas de milhares de sindicalistas disciplinados, cada um carregando a sua bandeirola; uma marcha de morte, poder-se-ia dizer. Por outro, um simples momento social de um cliente insatisfeito num café e de algumas pessoas com a clareza de se protegerem umas às outras do inimigo. Um momento que esteve possivelmente a um sopro de se transformar num motim fora de controlo, que se poderia ter alargado aos muitos imigrantes, companheiros e pobres que estavam naquelas ruas e que por ali costumam andar. Uma massa de indivíduos excluídos de qualquer representação e da lógica reformista.

O futuro está por se escrever. Momentos de rebelião alimentam-se de momentos de rebelião e de sentimentos de revolta e de alegria. O controlo será cada vez mais difícil de impor, e os seus bastões metem-nos cada vez menos medo.

Não beijes a mão que te bate. Morde-a!

Retirado de: Indymedia PT

quinta-feira, 3 de junho de 2010

[Grécia] Animação para aliviar tensão

Há algum tempo que a Grécia é grande inspiração para muitos de nós. Desde os acontecimentos de Dezembro de 2008 que tem aumentado gradualmente as notícias que nos mostram que ainda há saída e esperança. Em homenagem a isso alguns companheiros fizeram uma pequena animação que aqui fica.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O protesto, o burocrata e a carga

Milhares de pessoas juntaram-se ontem no marquês de pombal, em protesto contra as medidas de austeridade impostas pelo actual governo. Privatizações, diminuição de apoios sociais (nomeadamente para os mais necessitados), ou congelamentos salariais foram algumas das políticas denunciadas pelas pessoas que participaram na manifestação convocada pela CGTP, desde o jovem «falso recibo verde» à metalúrgica sob ameaça de despedimento colectivo.

O protesto ficou marcado por pequenas escaramuças entre alguns manifestantes e o serviço de ordem da CGTP – composto por seguranças profissionais – que controlavam o acesso à avenida da liberdade. Alguns elementos do serviço de ordem da CGTP, questionados pelo Indymedia, afirmaram que o "grupo" podia integrar a manifestação mas que, dado que não tinha havido um contacto prévio, o grupo só poderia entrar no final das organizações sindicais e outras apoiantes (partidos incluídos)A vontade dos primeiros, contudo, conseguiu vencer os ímpetos autocráticos dos segundos.

Já após o final da manifestação, na rua das portas de santo Antão, a tentativa de detenção de uma pessoa por parte da PSP, alegadamente por não ter pago um café, originou protestos. As autoridades, sem qualquer pré-aviso, carregaram sobre as pessoas que se encontravam na rua (manifestantes, turistas, clientes dos cafés e transeuntes), tendo provocado alguns feridos. Grande parte dos agentes não se encontrava identificado.

Retirado de: Indymedia PT

sexta-feira, 28 de maio de 2010

[Grécia] Os assassinos de Alexandros Grigoropoulos vão ser libertados

Os dois membros da força especial da policia, Epaminondas Korkoneas e Vasilis Saraliotis, que assassinaram o jovem Alexis de 15 anos dia 6 de Dezembro de 2008 vão ser libertados em condicional nestes próximos dias. Isto porque o tempo máximo de prisão preventiva (18 meses na Grécia) antes de um julgamento termina dia 6 de Junho. Especula-se que as medias de coacção serão o impedimento de sair da cidade de Amfissa onde decorre o julgamento.

Noutros casos, no passado o processo foi acelerado para que os acusados não deixassem a prisão preventiva mas esta visto que isto não é mais um caso normal...

Fonte: Ocuppied London

sábado, 22 de maio de 2010

Exércitos nas ruas

Pela primeira vez na história, a maioria da população mundial vive em cidades. Grande parte desta gente vive em condições de absoluta miséria. Um em cada três habitantes citadinos vive em bairros de lata, num total de quase mil milhões de pessoas, números com tendência para duplicar até 2030. Este processo é o corolário lógico dum modelo baseado na conquista de todos os recantos do planeta para a esfera de influência do capital, nomeadamente o financeiro, que estende à escala planetária a atracção e a repulsa da mão de obra. Assim, a sobrepopulação relativa é atraída ou rejeitada, de acordo com a concentração de capital nas diversas áreas do mundo.

Nos locais onde se concentra, tenta, por todos os meios, aumentar ao máximo a sua própria rentabilidade. Quando as condições não lhe são tão favoráveis, não se inibe em zelar para que se alterem. É o que se passa neste momento, em que a folia financeira conheceu alguns limites, o que, num mundo dividido entre capital e trabalho e baseado na necessidade de crescimento eterno, só pode significar que a corda parte do lado do segundo para a manutenção da prosperidade do primeiro.

E temos, assim, por um lado, massas enormes de pessoas a deslocarem-se à mercê das “necessidades do mercado”, rompendo com as suas terras e raízes e, por outro, a pressão para que todas as protecções sociais se evaporem. De forma a que sejamos todos apenas mais um do enorme exército de escravos que as altas finanças precisam para sobreviver. A expansão terminou e só o crescimento da miséria permite fazer face à situação.

Há mais de dez anos que o Banco Mundial tornou público que sabe que as coisas se processam desta maneira: “A pobreza urbana chegará a ser o problema mais importante e politicamente mais explosivo do próximo século” (documento de trabalho do grupo de investigação Finanças e Desenvolvimento, Banco Mundial, Janeiro 2000). Também já não escondem que o sonho da “prosperidade para todos” que nos venderam se revelara falso, a acreditar nas palavras do insuspeito Joseph E. Stiglitz, ex-chief economist e senior vice president do mesmíssimo Banco Mundial: “Apesar das repetidas promessas de reduzir a pobreza feitas nos últimos dez anos do século XX, o número efectivo de pessoas que vivem na pobreza aumentou quase cem milhões” ( Joseph E. Stiglitz, La globalizzazione e i suoi oppositori, Einaudi, Torino, 2003, p. 5).

Ao invés de pensarem em alterar o modelo para inverter a tendência, os seus responsáveis decidiram, como sempre, tratar de se protegerem das consequências. À esquerda e à direita, nos “países desenvolvidos” e nos “em desenvolvimento”, a simples presença duma força de trabalho sem rendimentos mas com as mesmas necessidades básicas de todas as outras pessoas é um pesadelo vivo. O medo provocado pelas reacções destes “fora do sistema” é imenso e provoca a mesma reacção securitária. Mais polícias, mais prisões, videovigilância, produção contínua de emergências, muros, torniquetes, registo biométrico, armas neutralizantes. Eis a resposta.

Quando o quadro se alarga, a panaceia revela-se global. A Nato, no seu relatório Urban Operations in the Year 2020 (elaborado pelo grupo de estudos SAS 30 – onde participam, desde 1998, experts do Canadá, Itália, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Estados Unidos – e tornado público em 2003) reconhece que a tendência para que se produzam tensões ligadas à existência de bairros de lata e condições de pobreza “poderia crescer significativamente no futuro, conduzindo a possíveis sublevações, desordens civis e ameaças à segurança que imporão a intervenção das autoridades locais”.

O que está em jogo, então, é apenas a capacidade das forças militares administrarem situações de conflito assimétrico, onde o inimigo não é um exército regular, mas uma massa heterogénea de “irregulares”. Por outras palavras: na crescente periferia metropolitana, quanto mais o inimigo se torna interno, mais impossível se torna enfrentá-lo com os métodos tradicionais dos bombardeamentos e da destruição integral das cidades, uma vez que o bairro de lata fica mesmo ao lado do condomínio fechado que se pretende proteger.

É um passo lógico nesta guerra civil global que se vai desenrolando e adaptando às características de cada terreno particular. A realidade europeia não se pode comparar à do Afeganistão, Iraque ou Haiti, mas tomemos o exemplo de L'Áquila, cidade italiana vítima dum terramoto devastador, em 2009, para se ver que não estamos, afinal, assim tão distantes. Depois do sismo, a máquina militar entrou rapidamente em acção, ocupando o território e experimentando técnicas de guetização da população em campos de refugiados fechadíssimos, com regras internas tão severas como absurdas. Não era permitido cozinhar, nem utilizar a internet ou consumir excitantes (café, vinho, chocolates), nem reunir-se para debater. As pessoas foram transformadas em escravos de laboratório, depois de despojadas de tudo pela força da natureza e pelas más construções com origem na ganância dos construtores, os mesmos que, agora, lucram com a reconstrução. O Terceiro Mundo, como coisa distante, deixou de existir. O Terceiro Mundo é aqui.

Para os mais descrentes, recomenda-se a leitura do Anexo E do relatório Urban Operations in the Year 2020, onde se simula uma operação da Nato num teatro de operações no qual as “cidades de interesse estratégico” não são Teerão nem Cabul mas as francesas Rouen, Le Havre, Evreux e Dieppe.

O inimigo é cada vez menos um exército convencional e cada vez mais uma entidade informal de guerrilheiros urbanos, massas completamente desapossadas, formações “terroristas” e também grupos menos organizados como os que emergem em situações insurreccionais. O controlo preventivo e a repressão de sublevações ou insurreições serão cada vez mais uma prerrogativa dos exércitos, que passará a ter funções de verdadeira polícia territorial, ao mesmo tempo que esta se militariza.

É este o quadro de fundo da teoria do estado de guerra permanente que se tem vindo a definir nos últimos vinte anos, uma teoria que parece feita especificamente para levar a cabo uma guerra global de baixa intensidade contra as franjas mais desesperadas da humanidade, a ter lugar nas periferias esfomeadas, independentemente de onde se situem. É esta a base que sustém o novo conceito estratégico da Nato, que será assinado em Novembro, na cimeira da Aliança Atlântica que se realizará em Lisboa. Atente-se a duas citações do documento Análises e recomendações do grupo de experts sobre um novo conceito estratégico para a Nato:
Dado o carácter de mudança e de crescente variedade de perigos para os estados membros, os Aliados deveriam fazer um uso mais criativo e regular das consultas autorizadas pelo artigo 4 (o Artigo 4 diz que os aliados se devem consultar “quando, na opinião de qualquer um deles, a integridade territorial, a independência política ou a segurança de alguma das Partes está ameaçada”)
e
O conceito estratégico deverá incluir uma declaração clara de prioridades de defesa. Estas começam com a capacidade de defender o território da Aliança, mas incluem a capacidade de levar a cabo missões exigentes a uma distância estratégica, ajudar a moldar a paisagem de segurança internacional, e responder a contingências imprevistas quando e onde for necessário. O Nível de Ambição (Level of Ambition ) oficial da Nato foi criado em 2006; não há necessidade de modificar esse enquadramento, apesar da definição da missão poder ser alargada de forma a incluir novas exigências para a segurança interna.

“Uma das armas do capital consiste no facto da população, proletariado incluído, não imaginar até onde o Estado avançará com a guerra civil”, escrevia Jean Barrot no distante ano de 1972. A tomada de consciência do nível a que o Estado está disposto a chegar com a guerra civil, consciência que ilumina os olhos dos putos palestinianos que atiram pedras ao tanque ocupante e que incendeia as ruas gregas, continua a faltar por aqui, adormecidos que andamos pelo sonho do “agora é que vai ser” e acomodados pela moral do “esperemos que não me toque a mim”.

Retirado de: Indymedia Portugal